Aquela
era uma carta diferente das demais. Nas costas, onde haveria o arabesco azul, havia
um papel com duas vezes a largura da carta, mas estava dobrado ao meio, de
forma que ficasse exatamente do tamanho do Ás. Sem demora, ansioso e com pressa
William abriu o papel. Nele havia um texto escrito à mão, em letra semelhante
às dicas anteriores.
“Parabéns por ter chegado até aqui. Se aqui
está é porque merece a chave da libertação. Vá imediatamente para baixo do
viaduto do chá, onde começa a calçada grande do Anhangabaú. Ali tem um portão
que dá acesso a um beco e está aberto para você”. William agradeceu o
atendente da biblioteca, que deu de ombros e foi em direção às prateleiras para
arquivar os dois exemplares solicitados pelo visitante. Quando Krahmer colocou
os pés na rua a chuva já começava, com gotas espessas e caindo lentamente. Era
um aviso de uma grande tempestade que chegava. As pessoas que andavam por ali
estavam apressadas. Algumas com guarda-chuvas abertos e outras se protegendo
com objetos, como pastas e bolsas, todas pelo canto da calçada. William não se
preocupava em se molhar, já estava úmido de suor e com a camisa amassada, não
havia razão para se preocupar com tão pouco.