Na
face do valete de espadas tinha algo escrito na beirada branca. “Casa grande”.
William ficou confuso, não entendeu nada. Foi até a cozinha pegou a maior faca
que tinha na gaveta do gabinete, enfiou numa capa protetora e escondeu entre a
calça e a camisa. Não sabia o que encontraria na busca pelo fim desta loucura.
Mesmo à hora do almoço, não sentia fome alguma, o estômago se embrulhava diante
da situação inimaginável a qual estava passando. “Casa grande”.
Ele
pensou por alguns segundos. Ao fim da rua de sua casa tinha uma casa, o esboço
de uma mansão, que havia sido abandonada por seu proprietário há dois anos,
parando sua construção. Correu para lá. Teve de pular o portão, que estava
trancado à corrente. Observou para ver se ninguém o observava e entrou. Lá
dentro, apenas poeira tomava conta do piso de concreto e alguns materiais de
construção nos cantos das paredes inacabadas. Procurou por toda a parte. Subiu
para o andar de cima e nada encontrou. William teve vontade de chorar, pensava
em Sara pregada à parede e na mãe, sedada e completamente presa à cama da
namorada. Pensou estar sonhando, lembrou-se de sua infância, dos passeios com a
mãe, da adolescência e quando conheceu Sara, no show dos Stones no Rio de
Janeiro.